Há 25 anos na defesa e promoção dos direitos das mulheres

“É fundamental empoderar jovens meninas, especialmente negras e periféricas”, diz Daniela Florio, do UNFPA

No final de agosto, Daniela Florio, Associada de Projetos da área de Adolescência e Juventudes do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), esteve pela segunda vez em Porto Alegre para acompanhar atividades da Themis e das Jovens Multiplicadoras de Cidadania (JMCs), projeto financiado pelo UNFPA.

Se em 2022 Daniela participou da formatura do 6º curso de formação das jovens ativistas, neste ano a cientista social e pedagoga esteve presente na aula inaugural da formação, que ocorreu na Assembleia Legislativa. Durante o evento, com participação especial da deputada Bruna Rodrigues, que deu seu relato de como teve a vida transformada pelo curso de JMCs, realizado em 2003, estiveram presentes a equipe da Themis, familiares das jovens e Promotoras Legais Populares (PLPs).

O curso será realizado até 10 de novembro, em formato híbrido, com encontros presenciais e aulas presenciais na Faculdade de Educação da UFRGS. As candidatas que concluírem o curso receberão certificados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

O UNFPA é um dos apoiadores da Themis na realização do curso de JMC’s. Confira, a seguir, a entrevista concedida por Daniela:

 

1) Por que precisamos falar sobre direitos para o empoderamento de jovens?

É a base para que os jovens se sintam empoderados e consigam compreender seu lugar no mundo, pensar seu o presente e projetar o seu futuro. É fundamental que eles tenham a base sobre quais direitos têm enquanto jovens e cidadãos, como acessá-los e como reivindicá-los quando são, de alguma forma, violados. É fundamental empoderar, especialmente as jovens meninas negras e periféricas, para que possam compreender quais são seus direitos e quando estão sendo violados. 


2) O curso de Jovens Multiplicadoras de Cidadania (JMCs) chega em sua sétima edição. Por que participar desta formação?

Por ser a sétima edição, já revela ser uma experiência super bem sucedida e que tem ótimos frutos. Quando ouço histórias, como a da Bruna (Bruna Rodrigues, deputada estadual), da Hellen (Hellen Fonseca, JMC da 6ª turma e atual estudante de Direito da UFRGS), da Ana Arosi (atual coordenadora pedagógica do curso de JMCs) e da Ni (Ceniriani Vargas da Silva, coordenadora pedagógica da formação da 6ª edição), e sobre como isso transformou a vida delas, vejo que o curso como fundamental. Essa formação, certamente, é um divisor de águas na vida dessas jovens. 


3) Durante a aula inaugural na Assembleia Legislativa, a deputada estadual Bruna Rodrigues, uma JMC, falou que a formação foi fundamental para mudar o rumo da sua vida – de uma menina pobre, negra, periférica, com poucas perspectivas. Enquanto representante do UNFPA, financiador do projeto, como percebes uma afirmação como essa?

Ficamos extremamente felizes de ouvir o relato da Bruna e perceber não só na fala dela, mas de outras, como da Hellen, que se trata de um projeto que tem sidoi extremamente exitoso. Enquanto financiadores, de alguma forma aportamos a possibilidade de qualificar ainda mais os cursos. Para nós, é gratificante acompanhá-las e encontrar na aula inaugural jovens interessadas, super atentas às falas. É super gratificante.


4) Quando o papel do UNFPA no empoderamento de jovens meninas?

Nós somos a agência do Sistema ONU, que tem como missão que todos os jovens alcancem  seu pleno potencial, especialmente as meninas. Para nós, poder trabalhar e fortalecer projetos como o das JMCs, da Themis, é fundamental (…) 


5) Durante sua vida, também podes se reunir com a Themis e com atores de projetos, caso de Promotoras Legais Populares (PLPs). Qual a tua avaliação do trabalho que vem sendo realizado pela organização?

O trabalho da Themis é exemplar. Percebemos a dedicação, há 30 anos trabalhando com mulheres, Promotoras Legais Populares (PLPs), trabalhadoras domésticas, JMCs. Há toda uma rede e um aporte técnico, bem como comprometimento. É gratificante poder acompanhar. É a segunda vez que acompanho presencialmente o trabalho da Themis e percebo a dedicação para que meninas e mulheres se empoderem, efetivamente, dos seus direitos. É um trabalho para que tenham vez e voz, e  que seus corpos possam estar onde elas quiserem. Elas têm de estar onde elas quiserem estar. 


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