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Morte de Marielle Franco e Anderson Gomes completa 40 dias sem solução

Hoje (23 de abril de 2018) fazem 41 dias que Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados. A justiça segue sem conseguir apontar os culpados pela execução da vereadora do PSOL, militante dos direitos humanos e, antes de tudo isso, mulher negra.

 

Como a Themis afirmou em nota anterior, toda morte negra é uma morte política. E a morte de Marielle vem se somar ao processo de genocídio do povo negro. Segundo dados do Atlas da Violência de 2017, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Um processo de extermínio que tem como alguns de seus instrumentos a marginalização, a guerra às drogas e a política de segurança pública militarizada. No contexto do RJ, situação agravada pela intervenção militar.

De acordo com as autoridades, uma das linhas de investigação aponta a milícia como responsável pelas mortes de Marielle e Anderson. De concreto, porém, a Justiça apontou pouca coisa. Enquanto isso, mais de 100 atos dentro e fora do País lembraram os 30 dias da morte de Marielle. A luta é para que o crime não caia no esquecimento.

SEMENTE – Em homenagem à vereadora, a Fundação Ford, a Open Society Foundations e o Instituto Ibirapitanga anunciaram a criação de um fundo para incentivar e apoiar as mulheres negras que aspiram à liderança política no Brasil. Com a doação de 3 milhões de dólares ao Fundo Baobá, instituição dedicada à luta pela igualdade racial, a iniciativa se baseia no trabalho da vereadora para ampliar a voz das mulheres negras e seu acesso ao poder no País.

“Marielle mostrou que uma mulher negra e bissexual das favelas poderia manter e exercer o poder. Seu assassinato brutal foi uma tentativa de negar essa verdade. Anunciar ao mundo que o Brasil produzirá novas Marielles é crucial”, disse Pedro Abramovay, diretor do Programa América Latina da Open Society Foundations. “Esse fundo garante que as mulheres negras das favelas ocupem espaços de poder e que não haja volta aos dias em que isso era visto como impossível”.

Achavam que iam matar Marielle, mas não sabiam que era semente. O luto se transforma em luta.

 


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