Lançamento da 1ª Semana de Ação Climática de Porto Alegre reúne lideranças políticas, movimentos sociais e sociedade civil

A primeira Semana de Ação Climática de Porto Alegre (Climate Week Porto Alegre 2026) foi lançada nesta quinta-feira (28/5), no Multipalco, reunindo representantes do poder público, movimentos sociais, universidades, organizações da sociedade civil e instituições ligadas à agenda climática.

A abertura da cerimônia foi realizada pela advogada Denise Dora, enviada especial da COP30 para direitos humanos e transição justa, conselheira diretora da Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos. Em sua fala, destacou que a iniciativa nasce da necessidade de conectar a experiência vivida pelo Rio Grande do Sul às discussões globais sobre emergência climática. “O estado viveu de forma concreta os impactos das mudanças climáticas e precisa transformar essa experiência em mobilização e ação coletiva. A Climate Week nasce justamente para fortalecer alianças e construir respostas mais justas e democráticas diante da crise climática”, afirmou.

 

Entre os participantes do lançamento esteve o presidente da COP30, o diplomata André Corrêa do Lago, que ressaltou a urgência das respostas diante da crise climática. “A ciência mostra que temos pouco tempo para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas e isso exige cooperação internacional e compromisso político. Não existe solução isolada para uma crise dessa dimensão, e os territórios precisam estar conectados às decisões globais”, declarou.

A diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil e enviada especial da COP30 para igualdade racial, Jurema Werneck, chamou atenção para os impactos desiguais da tragédia climática no estado: “As enchentes evidenciaram como o racismo e as desigualdades tornam algumas populações muito mais vulneráveis aos desastres. São as populações negras, indígenas e periféricas que enfrentam mais perdas, mais dificuldades de reconstrução e menos acesso à proteção”.

A Climate Week Porto Alegre será realizada entre os dias 20 e 26 de julho de 2026 e deve reunir debates, oficinas, atividades culturais e encontros voltados à adaptação climática, justiça socioambiental e reconstrução resiliente do Rio Grande do Sul.

A Themis tem atuado diretamente no enfrentamento aos impactos da emergência climática no estado, especialmente após as enchentes de 2024, quando reativou ações de ajuda humanitária voltadas à sua rede organizada de Promotoras Legais Populares (PLPs), mulheres em situação de violência e trabalhadoras domésticas. Como parte desse processo, a organização também promoveu dois cursos de formação de PLPs com foco em atuação em contextos de emergência climática: o primeiro em Porto Alegre, reunindo mulheres de diferentes regiões do estado, e o segundo em Lajeado, no Vale do Taquari,  uma das áreas mais afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul.