Entre histórias de vida, acolhimento e vontade de transformar a realidade das mulheres da comunidade, teve início neste sábado (16) a quarta turma do curso de formação de Promotoras Legais Populares (PLPs) na Restinga. Ao todo, 25 mulheres participaram da aula inaugural da formação promovida pela Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, que há mais de 30 anos atua na promoção dos direitos das mulheres.
O encontro contou com a presença da conselheira diretora da Themis, Denise Dora, da diretora executiva da organização, Jéssica Miranda Pinheiro, da Promotora Legal Popular Jussara Barros e do diretor-geral do IFRS Campus Restinga, professor Rudinei Müller. As aulas seguem até agosto, com encontros voltados à formação cidadã e ao fortalecimento das mulheres como lideranças comunitárias e agentes multiplicadoras de direitos.
Para Denise Dora, a continuidade da formação demonstra a permanência e a atualidade do programa ao longo das décadas. “Sempre existem direitos que precisam ser conhecidos e direitos pelos quais devemos lutar. As mulheres seguem sendo atacadas, agredidas e assassinadas, e não há resposta possível sem o movimento de mulheres organizado, conhecendo o mundo da justiça, da saúde, da educação e da assistência. O grande objetivo do programa é preservar a vida das mulheres e ampliar sua capacidade de usufruir direitos, ter autonomia e ajudar outras mulheres a viverem melhor”, afirmou.
Durante a abertura, o professor Rudinei Müller destacou a relação histórica entre o campus e a comunidade da Restinga. “Esse campus é da comunidade Restinga. Ele não é meu como diretor, nem dos servidores. Ele está aqui porque a comunidade lutou para que existisse. Então, vocês podem ocupar esse espaço, usar a biblioteca, os laboratórios e tudo o que o campus oferece”, disse às alunas.
Entre as participantes da nova turma está Natália Cristine Rocha dos Santos, que conheceu o curso por meio de um grupo de cuidadores de idosos ligado ao IFRS. Emocionada durante a aula inaugural, ela relacionou a experiência à trajetória da própria avó, moradora da Restinga. “Minha avó poderia ter vivido essa acolhida e isso poderia ter mudado muito a vida dela, para que ela não tivesse vivido um relacionamento abusivo. Então, só o fato de eu estar aqui já é uma honra”, relatou.
Natália também destacou a importância da formação para sua atuação profissional e pessoal. “Só o fato de eu ter mais informações e ferramentas para poder ajudar outras mulheres já agrega muito ao meu conhecimento, ao meu trabalho como cuidadora e, principalmente, à minha vivência como mulher e como mulher preta”, afirmou.
Criado pela Themis em 1993, o programa de Promotoras Legais Populares democratiza o conhecimento jurídico e fortalece a atuação das mulheres em seus territórios, promovendo o acesso à justiça e o enfrentamento às violências de gênero. Em um cenário de agravamento da violência contra as mulheres no Rio Grande do Sul, iniciativas como essa se consolidam também como espaços de prevenção, acolhimento e fortalecimento coletivo, ampliando a rede de proteção nos territórios e fortalecendo mulheres para reconhecer, enfrentar e romper ciclos de violência.



