A Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, a JUSTA e o Fórum Justiça lamentam profundamente a morte de Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha, aos 82 anos, nesta terça-feira. Ao mesmo tempo em que recebemos com tristeza a notícia de sua partida, celebramos a vida de uma mulher que fez da luta por direitos, democracia e justiça um compromisso de toda uma existência.
A história de Amelinha é parte da construção coletiva que culminou no espaço que as mulheres ocupam hoje na sociedade brasileira. Feminista, militante política, escritora, educadora popular e defensora dos direitos humanos, Amelinha construiu, ao longo de mais de cinco décadas de atuação, uma trajetória que se confunde com a história dos movimentos de mulheres e feministas no Brasil. Sua voz esteve presente na resistência à ditadura, na luta pela democracia, na defesa da memória e da justiça e na construção de caminhos para que mulheres conhecessem seus direitos e pudessem reivindicá-los.
Entre seus legados está a contribuição para a construção da metodologia de acesso à Justiça da Themis, alicerce da formação das Promotoras Legais Populares (PLPs). Ao longo de décadas, mulheres de diferentes territórios no Rio Grande do Sul e no Brasil encontraram nas formações de PLPs um espaço de conhecimento, fortalecimento e organização. Amelinha é parte fundamental dessa história e ajudou a construir uma metodologia que transforma o conhecimento sobre direitos em ferramenta de autonomia e transformação.
Amelinha também fez parte do Lobby do Batom, articulação do movimento de mulheres que atuou durante a Assembleia Nacional Constituinte e foi fundamental para a conquista de direitos inscritos na Constituição de 1988.
Sua própria vida foi marcada pela resistência. Presa durante a ditadura militar, enfrentou a violência de Estado e fez de sua experiência também uma fonte de luta e de compromisso com a democracia. Foi integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e assessora da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo – Rubens Paiva, mantendo viva a defesa da memória, da verdade e da justiça.
Foi uma das fundadoras da União de Mulheres de São Paulo. Como escritora, deixou contribuições para a reflexão sobre feminismo, violência contra as mulheres, direitos humanos e história das mulheres no Brasil. Em 2023, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Celebramos a vida de Amelinha Teles e a força de uma trajetória que permanece viva em tantas mulheres, organizações e lutas.
Amelinha, presente.