Cuidado, saúde mental e justiça climática são tema de painel da POA Climate Action Week 

A oficina “Mulheres em marcha pela defesa de si e da vida: Escutadeiras do corpo-território” convidou as participantes a refletirem sobre uma pergunta central: qual é o meu território? Conduzida por representantes da Clínica Feminista Antirracista Interseccional da UFRGS (CliFAI), da Themis e do Movimento das Marisqueiras de Sergipe, a oficina partiu do entendimento de que não é possível dissociar a defesa da vida das mulheres da defesa dos territórios e dos biomas. Ao reunir saberes acadêmicos, populares e ancestrais, a oficina criou um espaço de troca em que as participantes compartilharam experiências sobre como as mudanças climáticas e as desigualdades sociais atravessam seus corpos, suas histórias e os territórios que habitam.

A atividade teve início com uma dinâmica de desenho e de reflexão. Cada participante foi convidada a desenhar um corpo e, dentro dele, o território que a constitui, identificando onde habitam o medo, o conforto, a indignação e a força para a luta. A partir dessas perguntas, o grupo compartilhou suas experiências pessoais e suas visões sobre pertencimento, cuidado e resistência.

Segundo Simone Paulon, professora da UFRGS e integrante da CliFAI, a proposta busca romper com a separação entre corpo e território. “A oficina ofereceu um exercício do Curso de Formação de Escutadeiras, que reúne saberes populares e acadêmicos no combate às violências e no cuidado mútuo entre as mulheres. A nossa ideia é que seja levado para as comunidades, multiplicando o cuidado de si, das famílias, das comunidades e dos territórios”, contou Paulon.

A psicóloga da CliFAI Luísa Silveira destacou que a oficina nasceu do encontro entre  diferentes experiências de organização coletiva de mulheres. Entre elas está o Movimento das Marisqueiras, formado por pescadoras artesanais que vivem da coleta de crustáceos nos manguezais e que enfrentam diariamente os impactos do colapso ambiental. “Essas mulheres encontram formas de seguir vivendo e cuidando da vida mesmo em contextos de grande vulnerabilidade. Junto com elas, pensamos em uma série de propostas de fortalecimento dessas comunidades, e uma delas é pela via da saúde mental e do cuidado coletivo entre mulheres”, afirmou.

Em um contexto de emergência, defender políticas de cuidado passa a ser também uma estratégia de enfrentamento às desigualdades e de construção de futuros mais sustentáveis. Ao abrir a Semana de Ação Climática com essa atividade, a organização destacou a importância de colocar no centro do debate os conhecimentos produzidos por mulheres que vivem e transformam seus territórios, fortalecendo redes de solidariedade e de ação coletiva.