Missão da Themis em Cabo Verde acompanha avanços do projeto Fla Sim Pa Mudjer no enfrentamento à violência de gênero

Entre o fim de maio e o início de junho, a Themis realizou mais uma missão de monitoramento em Cabo Verde para acompanhar os resultados do projeto Fla Sim Pa Mudjer, desenvolvido em parceria com a Associação Caboverdiana de Luta Contra a Violência Baseada no Género (ACLCVBG). A iniciativa busca fortalecer estratégias de prevenção e enfrentamento à violência baseada no gênero no país.

A agenda permitiu ver de perto a atuação das Mulheres Multiplicadoras de Cidadania (MMCs), lideranças comunitárias capacitadas para disseminar informações sobre direitos, orientar mulheres e fortalecer redes locais de proteção. Inspiradas na metodologia de acesso à justiça da Themis, elas desenvolvem ações em comunidades, escolas e espaços de acolhimento.

“O projeto tem como objetivo prevenir a violência baseada no gênero em Cabo Verde por meio das ações realizadas pelas Mulheres Multiplicadoras de Cidadania. Durante a missão, pudemos acompanhar como elas vêm desenvolvendo esse trabalho nos territórios e nos espaços de acolhimento às mulheres em situação de violência”, destacou a coordenadora da área de Enfrentamento às Violências da Themis, Rafaela Caporal.

Ao longo da visita, a equipe esteve nos Centros Integrados de Atendimento às Vítimas de Violência Baseada no Gênero (SIS-VBG) e em atividades educativas promovidas pelas MMCs, observando de que forma a formação recebida tem se traduzido em ações concretas de prevenção e apoio às mulheres.

Os impactos também aparecem nos relatos das participantes. A professora Ondina Moreno, formada em Praia (Ilha de Santiago), contou que chegou ao curso com a autoestima fragilizada e que a experiência transformou sua trajetória pessoal e profissional. “Hoje, sinto que posso ajudar não apenas a mim mesma, mas também outras mulheres da comunidade. A formação tem contribuído para apoiar estudantes e famílias e promover mudanças positivas no ambiente escolar”, afirmou.

Além do acompanhamento das atividades, a missão fortaleceu a articulação entre a Themis, a ACLCVBG e a Fundação Womanity, financiadora do projeto, e possibilitou avaliar a adaptação da metodologia brasileira ao contexto cabo-verdiano. Embora Brasil e Cabo Verde compartilhem desafios relacionados às desigualdades de gênero, a implementação foi construída a partir da escuta das comunidades e das especificidades locais.

“Após quase cinco anos de trabalho conjunto, os resultados observados durante a missão demonstram que a metodologia de acesso à justiça da Themis pode ser adaptada a diferentes contextos, fortalecendo lideranças comunitárias e ampliando estratégias de prevenção à violência baseada no gênero”, afirmou Rafaela Caporal.

Confira mais depoimentos:

“Nossas Mulheres Multiplicadoras de Cidadania têm feito um trabalho extraordinário nas comunidades, atendendo nos centros e escolas. Está sendo muito gratificante o trabalho que estamos a desenvolver. Neste momento, o projeto abrange os municípios de Praia e Santa Cruz, mas já temos demanda e solicitação dos outros municípios que gostariam de implementar o projeto.”
Vicenta Fernandez, presidente da Associação Cabo-verdiana de Luta Contra a Violência Baseada no Gênero

“Foi importante estar em contato no terreno e ver in loco os avanços e os progressos no projeto, que vão para além da formação dessas mulheres. Possibilitou ver a transformação individual nas mulheres que participaram da formação, assim como a disseminação de informações que as mulheres têm feito nas comunidades, partilhando com outras mulheres o impacto que essas informações têm tido.”
Nair Tavares
Coordenadora do projeto Fla Sim Pa Mudjer em Cabo Verde

“Foi uma experiência que abriu nossos olhos para entender o que está acontecendo nas comunidades, nas escolas, como as MMCs se envolvem com as comunidades e com as crianças nas escolas, como realizam esse trabalho e colaboram umas com as outras para se apoiarem. Compreendemos o quanto elas estão comprometidas, determinadas e motivadas, por conta das circunstâncias que vivenciaram em suas comunidades, como injustiças, desigualdades e violência de gênero. Tudo isso as impulsiona a buscar algo melhor.”
Carolyne Shemeri
Oficial Sênior de Programa da Fundação Womanity

“Ser uma mulher multiplicadora de cidadania na minha comunidade é marcar o território, marcar a presença e fazer sentir que ali está uma mulher que luta lado a lado, a voz, para tornar uma sociedade mais justa e mais igualitária.”
Angelina Mendes Correia Cabral, Mulher Multiplicadora de Cidadania em Santa Cruz

“Em relação à escola, acho que a formação chegou num ótimo momento, tendo em conta que algumas crianças na escola precisavam da minha ajuda não só como ajuda como professora, mas também como mulher multiplicadora da cidadania. Na escola está a ter muita produtividade porque está a mudar consideravelmente a vida dos meus alunos e também dos pais encarregados de educação. Acredito que com essa formação vamos ter um governo melhor no futuro.”
Ondina Moreno, Mulher Multiplicadora de Cidadania em Praia