A Themis participou, na última segunda-feira (26/5), em Brasília, do Circuito dos Cuidados, iniciativa promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para debater a construção de uma política institucional de cuidados no âmbito do Judiciário brasileiro.
A organização integra o grupo de trabalho criado pelo CNJ em novembro de 2025 para pensar diretrizes sobre cuidados dentro do Conselho e nos tribunais do país. O grupo reúne representantes da sociedade civil e atua em três frentes: normatização interna, prestação jurisdicional e formação. O objetivo é discutir como a perspectiva do cuidado pode atravessar tanto a organização institucional quanto as decisões judiciais e o acesso à Justiça.
A programação do Circuito dos Cuidados contou, pela manhã, com uma reunião fechada do grupo de trabalho. À tarde, ocorreu a abertura institucional do evento, com participação do ministro Edson Fachin e da coordenação do grupo no CNJ, destacando a importância de incorporar o debate sobre os cuidados nas práticas do Judiciário e nas relações de gênero.
Durante o encontro, foi lançado o documentário “Precisamos Falar Sobre os Cuidados”, produzido em 17 tribunais brasileiros. A obra reúne relatos de magistradas, servidoras, servidores e trabalhadoras terceirizadas sobre os significados e desafios do cuidado no cotidiano.
O evento também promoveu rodas de conversa com mães de crianças afetadas pela epidemia do Zika Vírus, trazendo reflexões sobre direitos, responsabilidade do Estado e sobrecarga do cuidado. A programação incluiu também a exposição “Ainda”, com curadoria da antropóloga Débora Diniz, dedicada à resistência e à luta por direitos dessas mulheres.
Para a Themis, a participação do CNJ nesse debate representa um avanço importante no reconhecimento do cuidado como tema central para a Justiça e para a democracia.
“Temos falado muito sobre a centralidade do cuidado, que é justamente essa sustentação da produção e da reprodução da vida. Não existe vida sem cuidado. E é importante lembrar o papel das trabalhadoras domésticas remuneradas, que sustentam historicamente o cuidado no Brasil. Ter o Conselho Nacional de Justiça debatendo esse tema na mesma esteira da Política Nacional de Cuidados e das discussões internacionais sobre economia do cuidado é extremamente relevante”, destacou Jéssica.
A diretora-executiva também reforça que o debate sobre cuidados precisa impactar diretamente a prestação jurisdicional e a forma como o sistema de Justiça acolhe as pessoas que chegam aos tribunais.
“O cuidado é um tema polissêmico, que atravessa diferentes áreas da vida social. É fundamental que o Judiciário repense suas práticas e compreenda como essa questão chega concretamente para quem busca acesso à Justiça”, afirma.