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Há 25 anos na defesa e promoção dos direitos das mulheres

8 de março: dia de luta pela vida das mulheres

No Brasil e no mundo, o 8 de março é dia de luta, não de celebração. As violências que atravessam a vida das mulheres e meninas são profundas e urgentes. Aqui no Rio Grande do Sul, 80 mulheres foram assassinadas ao longo de 2025 em crimes classificados oficialmente como feminicídio, evidenciando a gravidade da violência de gênero em nosso Estado.

Os números de feminicídio se somam a milhares de registros de ameaças, agressões, estupros e outras formas de violência doméstica e familiar.

A maioria desses crimes ocorre no contexto das relações familiares, intrafamiliares ou conjugais e é praticada por companheiros ou ex-companheiros, demonstrando que o lar que deveria ser de proteção muitas vezes se torna o mais perigoso. A violência de gênero não é isolada. Ela é sistêmica, sustentada pelo patriarcado e machismo, pela desigualdade econômica, pelo racismo e pela insuficiência de políticas públicas eficientes capazes de prevenir, acolher e reparar.

Essa realidade atinge de forma ainda mais dura mulheres negras, periféricas, indígenas, LBTQIA+ e com deficiência, que enfrentam múltiplas camadas de discriminação e maiores barreiras de acesso à justiça e à rede de proteção. Raça, território, renda, orientação sexual e condição física atravessam a experiência da violência. Falar de feminicídio é falar também de racismo, de desigualdade social e de exclusões históricas que aprofundam vulnerabilidades.

Neste 8 de março no qual a Themis celebra 33 anos, convocamos todos os poderes a fortalecer políticas públicas permanentes, garantir orçamento adequado para a rede de atendimento, qualificar as instituições de justiça e investir em educação para a igualdade de gênero desde a infância. É necessário agir para que nenhuma mulher tenha sua vida interrompida pela violência.

Reafirmamos nosso compromisso com a defesa da vida, da dignidade e do acesso à justiça para todas as mulheres e meninas. Seguiremos incidindo por políticas eficazes, denunciando violações e fortalecendo redes de resistência. Enquanto houver violência de gênero, o 8 de março seguirá sendo um dia de luta no Brasil, no mundo e, de forma urgente, no RS.


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