ONG feminista há 20 anos na defesa dos direitos das mulheres

PLP 2.0 – App começa funcionar oficialmente em Porto Alegre

No final da manhã desta segunda-feira (27), duas porto-alegrenses em situação de violência começaram utilizar, oficialmente, o aplicativo PLP 2.0. O projeto foi o vencedor do Desafio Social Google 2014 em parceria com o Instituto da Mulher Negra de São Paulo – Geledés. A instalação do app ocorreu durante audiência judicial para assinatura do Termo de Uso e Responsabilidade, no 1º Juizado da Vara de Violência Doméstica e Familiar, na presença das representantes das Promotoras Legais Populares, Secretaria da Segurança Pública, Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e Ministério Público.

De acordo com a coordenadora de projetos da Themis, Michele Savicki, este é o momento de comemorar a concretização de uma parceria entre entidades comprometidas no enfrentamento da violência contra a mulher. “Quando o projeto iniciou a intenção era expandir, por meio da tecnologia, todo trabalho já feito pela Themis e as Promotoras Legais Populares. Queremos agradecer todas as entidades parceiras que apoiaram a ideia desde sempre e colaboraram de alguma forma”, salientou.

A juíza Madgéli Frantz Machado explicou que a versão beta será utilizada por duas moradoras do bairro Restinga em situação de violência. ” A vontade da Themis, assim como a nossa, é multiplicar essa ferramenta em todas as cidades e todos os estados, mas para isso é preciso que as demais secretarias de segurança tenham a mesma sensibilidade para desenvolver nos moldes que conseguimos aqui”.

A delegada Sônia Dall’Igna, Chefe da Divisão de Direitos Humanos da Secretaria de Segurança, destacou a boa vontade entre as instituições. ” Existem no país outras tentativas parecidas, mas nada comparado ao método daqui, no qual a secretaria de segurança se une as demais forças para o atendimento das mulheres vítimas de violência”, afirmou.
Para a Promotora Legal Popular Carmen Lúcia da Silva trata-se de um momento muito emocionante. “Estávamos ansiosas por este dia, porque – infelizmente – a realidade nos mostra que ainda é preciso desenvolver ferramentas como essa para aumentar a segurança das mulheres. Agradecemos ao Tribunal de Justiça, em nome da juíza Madgéli, a secretaria de segurança e todas as entidades parceiras por terem recebido esse aplicativo com bons e esperançosos olhos”, lembrou.

Já para a *usuária 01, o aplicativo é uma esperança de ter a vida de volta. Aos 25 anos de idade e 5 meses de medida protetiva, ela afirma que até agora não entende por que o marido a agredia. “O problema é a questão cultural, moça. Esses dias eu estava com a minha filha pequena no postinho e ela foi brincar com outro piazinho e no meio da brincadeira os dois se estranharam. Ele foi reclamar para a mãe e ela disse para o guri bater na minha filha porque não deveria apanhar de uma guria muito menor que ele. Como uma mulher incentiva um homem, independente do tamanho ou idade, bater em outra mulher? Criança briga, a gente ensina que não se bate no amiguinho, mas quando é amiguinha a gente deve explicar desde cedo que não se bate em menina nunca. Essas coisas precisam vir de casa”, disse. A mesma vontade de ter mais segurança é compartilhada pela *usuária 02. ” Eu não posso ir numa venda, não posso ir na farmácia, nem na casa da minha mãe porque ele me persegue por todos os lugares. Eu me sinto presa. Agora, sei que quando ouvir ele gritando de longe já posso buscar ajuda sem chamar atenção.

Quem pode usar e como funciona

O PLP 2.0 é um aplicativo para mulheres em situação de violência , escolhidas pelo Tribunal de Justiça, que possuem medida protetiva. A ferramenta prioriza o atendimento da secretaria de segurança que desloca uma viatura da Brigada Militar para o atendimento da usuária.
O objetivo do app é ser uma ferramenta discreta e rápida no socorro das usuárias. No aplicativo está instalado o Botão de Emergência (para as situações graves), a sessão de Registros de Ocorrências Leves (agressor rondando a casa ou local de trabalho, ligando para fazer ameças ou agressões verbais, etc. Após um determinado número de ocorrências a policia será acionada para verificar a situação) e um espaço para compartilhamento de experiências e vídeos para auxiliar na parte emocional das usuárias.

Presenças

Participaram da audiência também o Promotor de Justiça, titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Marcelo Ries; as colaboradoras da Divisão de Direitos Humanos Ana Paula Barcelos e Janice Ribeiro; o Diretor Adjunto do DTIC (Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação da SSP/RS), Major Ademir Brito da Silva; o Diretor do DTIC, Delegado Thiago Solon Gonçalves Albeche; o Chefe do Videomonitoramento do DCCI (Departamento de Comando e Controle Integrado da SSP/RS), Tenente Coronel Gilberto da Silva Viegas e a membro do Conselho Diretor da Themis Denise Dora.

*Os nomes das usuárias foram protegidos

Texto e foto: Rita Barchet
Assessoria de imprensa
Twitter: @themisONG
Facebook.com/Themis


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