ONG feminista há 20 anos na defesa dos direitos das mulheres

Pela Legalização do Aborto: IV Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres chega ao Rio Grande do Sul

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Nos dias 26, 27 e 28 de setembro, chega à região sul do país mais uma etapa da IV Ação Internacional das Marcha Mundial das Mulheres. Cerca de 500 mulheres estarão reunidas na fronteira das cidades de Sant’Ana do Livramento (RS), no Brasil, e Rivera, no Uruguai, para a Primavera pelo Direito ao Corpo e à Vida das Mulheres. No encontro, que receberá mulheres destes dois países e também da Argentina, serão debatidos a legalização e descriminalização do aborto sob diferentes perspectivas. Contextualizando a realidade de cada um dos países participantes, a programação contempla plenárias e outras atividades sobre a laicidade dos territórios, saúde, gênero e sexualidade.

#SomosTodasClandestinas
Estudos apontam que, no Brasil, quase 1 milhão de mulheres recorrem a procedimentos clandestinos para interrupção de gravidez. Estes números são extra-oficiais, já que a criminalização do aborto promove a subnotificação de casos pelo Sistema Único de Saúde. Na Argentina, os índices apontam cerca de 500 mil abortos clandestinos anualmente. Nos dois países, as mulheres precisam recorrer à clandestinidade, mas a realidade socioeconômica de cada uma das mulheres determina a segurança na realização do procedimento e, portanto, determina também quais mulheres seguirão suas vidas com qualidade física e psicológica, quando seguem, já que muitas delas perdem as suas vidas no processo. “O recorte de classe é evidente e determina quais mulheres morrem e quais mulheres seguem suas vidas. Aquelas com melhor condições financeiras têm a possibilidade de realizar o aborto em clínicas especializadas, enquanto mulheres pobres – majoritariamente negras – recorrem a métodos completamente invasivos e inseguros”, comenta Cintia Barenho, uma das coordenadoras da ação.

Diferentemente desses países, o Uruguai reconheceu em 2012 o direito das mulheres sobre o seu corpo e, hoje, as mulheres uruguaias podem realizar a interrupção da gravidez indesejada em segurança e na legalidade através do serviço de saúde, com uso de medicamentos. Um balanço oficial do governo uruguaio informou que, no período de um ano de vigência da Lei de Interrupção da Gravidez (lei de aborto), foram realizados quase 7 mil abortos seguros. E nenhuma mulher faleceu. No entanto, os movimentos feministas denunciam que o direito ainda não é pleno para as mulheres, havendo muita rejeição médica e discrepância em atendimentos entre aquelas que estão na capital e no interior do país.

Nem Papas, nem Juízes, as Mulheres que decidem
Diante dessa realidade regional, a “Primavera” terá como ponto forte a luta pelo direito ao aborto, uma das práticas que recebem hoje os maiores ataques conservadores e reacionários, em que mulheres são consideradas criminosas por decidirem sobre a maternidade. As mulheres que estarão reunidas nesta mobilização lutam por autonomia, pelo direito de decidir sobre o modo como vivem suas vidas e sexualidade e entendem como essencial a garantia do estado laico.

A Primavera pelo Direito ao Corpo e à Vida das Mulheres
Na construção da Primavera pelo Direito ao Corpo e à Vida das Mulheres, militantes do Brasil, Uruguai e Argentina se unem para fazer florescer a autonomia, a partir da troca, articulação e fortalecimento das lutas feministas. A região de fronteira foi escolhida para possibilitar e evidenciar este intercâmbio contra o poder médico e conservador. Confira toda a programação abaixo.

PROGRAMAÇÃO

Dia 26/09 – Sábado

MANHÃ
9h – Recepção & Acolhimento no Parque Internacional.
Credenciamento e chegada das excursões/delegações

12h – Almoço no Parque Internacional.

TARDE
Teatro Municipal “15 de Febrero” (Rivera – Uruguay)
14h30 às 16h30 – Painel a Conjuntura de Descriminalização e Despenalização do Aborto na Argentina, Brasil, Uruguai
16h30 às 17h30 – Feminismo por um mundo livre do machismo, da violência e da lesbifobia
18h30 às 19h – Colóquio de Parlamentares – Legislando para a promoção da autonomia do corpo e da vida das mulheres e afirmação do Estado Laico

NOITE
A partir das 19h – Atividades culturais

Dia 27/09 – Domingo

MANHÃ
Na Unipampa
9:30h às 12h30 – Oficinas/Talleres
Serviços públicos de informações/acolhimento sobre o aborto e legislação pertinente
Saberes Populares e Tradicionais; Saúde e Ginecologia Natural
Mercantilização, Controle e medicalização do nossos corpos
Identidade de gênero, Autonomia do Corpo, Sexualidade: Heterossexualidade, bissexualidade, lesbianidade, transexualidades
Construção de Resistências pela vida das mulheres
Mulheres Negras em Marcha – Pelo direito ao corpo e à Vida das Mulheres
Políticas públicas de enfrentamento da violência e legislação
Educação Feminista – enfrentando o conservadorismo

 Almoço – 13h às 14h 

TARDE
15h30 – Plenária Final Brasil-Argentina-Uruguai pelo Direito ao corpo e à Vida das Mulheres
Local: Teatro Municipal “15 de Febrero” (Rivera – Uruguay)

16h45mim – Ocupe a Praça com Feminismo
Local: Parque Internacional.

((Dia 28/09 – Segunda-feira))

9h – Concentração para Marcha Feminista Trinacional pelo direito ao corpo e a vida das mulheres
Local: Parque Internacional

Mais informações: http://www.mmm-rs.blogspot.com.br/
Evento do Facebook: https://goo.gl/Km5sQY

Fonte: Coordenação Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no RS


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