ONG feminista há 20 anos na defesa dos direitos das mulheres

Formatura da 5º turma de JMC’s: Juntas podemos mais !

A grande capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, que abriga cerca de 1,5 milhões de habitantes, é a mesma cidade que abandona, negando a sua diversidade de classe. O que não é um problema somente dessa região do país, mas de toda a sociedade brasileira. Essa invisibilidade resulta em caminhos que jamais serão tocados e transformados, não ser visível aos olhos dos direitos cria cicatrizes, sejam elas internas ou sociais. Eu, tu, ele, ela, nós existimos e exigimos sermos vistas, deixamos nossas marcas escritas nas ruas, esquinas e avenidas desta cidade, que nos obriga a sermos armadas pela voz e palavras.

Vos apresento, vozes armadas. Vindas de inúmeros bairros da grande Porto Alegre, são meninas que saíram de suas casas, na busca de multiplicação dos seus saberes e, em busca de sua cidadania. Suas histórias cruzaram-se inicialmente no mês de junho, e completaram-se até dias de novembro, pegavam a condução lotada, toda sexta-feira, em direção ao bairro Santana, enfrentando o trânsito caótico e o cansaço de uma semana dividida entre escola, trabalho, filhos e família. A cada novo encontro as vozes vinham ganhando resistência e conhecimento, suas vidas, ali dentro daquela sala de aula  se conduziram a novas linhas, bem como, novas formas de atuação.

Em um país, onde a  sua juventude é vista como um segmento social de segunda ordem, visto que, torna-se pior ainda quando falamos de jovens de regiões periféricas, o descaso toma proporções maiores. A problemática fere mais ao lembrarmos de que povo habita essas áreas, é o povo negro e historicamente têm enfrentado um quadro desfavorável no que refere-se a garantia/acesso aos direitos, pondo em risco muitas vezes, suas vidas.

Além de estarmos em constante conflito com o Estado, instituição esta que deveria nos assegurar condições básicas de saúde, educação e direitos, independente de gênero, classe e raça, sabe-se que a mesma é falha em todas suas instâncias, ainda entramos em confronto com a mídia canarinha, a qual contribui para circulação e produção de discursos formadores de um imaginário social.

Os grandes meios de comunicação tem em suas produções o poder da visibilidade, seja ela qual for, para o bem ou para o mal. Ao pautar os bairros mais pobres, abordam questões relacionadas à violência, pobreza, tráfico, gerando uma falsa visibilidade. Esquecem que ali existe luta, resistência e uma batalha diária pela sobrevivência, através da cultura e o acesso a educação pública. O morro também é atuação política e social!

As Jovens Multiplicadoras de Cidadania, surgem em contrapartida a esse discurso massivo e destrutivo de uma sociedade. São mulheres jovens, vindas de todos os bairros, que marcham lado a lado, com o sentimento de querer mudança social, ser protagonista de suas próprias histórias, como já disse acima, são vozes armadas de conhecimento.

A ONG Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, tem formado desde 2003 aproximadamente 100 JMC’s formadas, que hoje são feministas, militantes pelos direitos humanos, educadoras, ocupantes dos espaços públicos e privados, com um novo olhar sobre a forma de organização da sociedade civil. Criadoras de redes e narrativas de empoderamento, por meio do conhecimento adquirido no curso, acerca dos direitos de gênero e o acesso à justiça, atuantes em seus bairros, escolas e famílias, ajudando a criar a ponte periferia, centro. Adentraram e adentrarão as universidades e as pintaram de povo e força.

Essas vozes armadas se disseminam e ecoam pela região metropolitana de Porto Alegre, em todos os bairros lá estão elas, construindo alternativas de um novo mundo; mundo este que é vivido coletivamente e justo, onde o conhecimento é democrático e libertador. Na noite da última sexta-feira (17/11/2017) formou-se a quinta turma de JMC’s, dezoito novas multiplicadoras de cidadania, dezoito vozes armadas que entoaram em seu discurso que:

“Diante do golpe, mulheres que falam sobre cidadania é um ato de resistência. O exercício de conhecer os seus direitos e deveres políticos, civis e sociais é a nossa forma de lutar contra toda e qualquer tentativa de redução de avanços culturais já adquiridos. Pois, não reconhecemos planos políticos não legitimados pelo voto popular.

Afinal, eu quero ser tudo que sou capaz de me tornar. Nós já somos JMC’s. Além do mais, quero que sejamos tudo isso juntas!”

Juntas podemos mais!

Para mais fotos acesse : http://bit.ly/2iFBZi4


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