ONG feminista há 20 anos na defesa dos direitos das mulheres

Conheça Harriet Tubman, a única mulher retratada numa nota estadunidense em 100 anos

Harriet Tubman

Conhecida como “black Moses”, ou Moisés negra, Harriet Tubman nasceu escrava e durante sua vida se tornou importante ativista do movimento abolicionista estadunidense. Na última semana, foi anunciado que o seu rosto substituirá o do sétimo presidente do país (Andrew Jackson, que era não somente contra a abolição como também dono de escravos) na frente da nota de vinte dólares. Mesmo sob protestos, o retrato de Jackson continuará no verso da nota.

O apelido de Tubman vem de sua atuação na libertação de escravos, especialmente no sul dos Estados Unidos: ela os ajudava a atravessar o país em direção aos estados do Norte (que eram pró-abolição) ou ao Canadá. E ainda participou da libertação de dezenas de escravos de Maryland enquanto ela mesma era fugitiva, com uma recompensa de 100 dólares pela sua captura.

Sua atuação teve início com sua própria fuga do estado de Maryland, local onde ela nasceu por volta de 1822. Ainda enquanto criança, um dono de escravos lhe causou uma lesão grave na cabeça com um peso de metal. As sequelas dessa ferida a acompanharam para o resto da vida com dores de cabeça, sintomas de epilepsia e sonhos vívidos que Tubman acreditava serem previsões do futuro.

Já aos 22 anos, ainda escrava, Harriet casou-se com John Tubman, um escravo liberto. Legalmente, quaisquer filhos que eles tivessem pertenceriam ao dono dela. Quando este homem morreu, ela decidiu fugir para o norte, para não ser vendida. Seu marido não quis acompanhá-la, já que tinha uma vida relativamente confortável como escravo liberto em Maryland. Alguns relatos afirmam que ele ameaçou denunciá-la caso ela fugisse. Mesmo assim, com dois de seus irmãos, Tubman usou pela primeira vez a Underground Railroad (ferrovia subterrânea, em tradução livre) para abandonar o sul – caminho que faria muitas vezes no futuro com outros escravos.

Sobre a decisão de retornar a Maryland para libertá-los, ela afirmou mais tarde:

“Não havia ninguém para me dar boas vindas à terra da liberdade. Eu era uma estranha numa terra desconhecida. E meu lar era Maryland, porque meus pais, meus irmãos, minhas irmãs e meus amigos estavam lá. Mas eu era livre, e eles também deveriam ser”.

Ela fez mais diversas viagens no subterrâneo e biografias relatam que durante a travessia Tubman cantava músicas como Go Down Moses e Bound for the Promised Land, alterando os ritmos para indicar se era seguro continuar o caminho ou não. Inicialmente, o destino das passagens eram os estados do norte. Contudo, isso mudou em 1850, com a Lei do Escravo Fugido. Essa lei determinava que um escravo que fugisse do sul estadunidense deveria ser perseguido e capturado também no norte. A partir de então, Tubman passou a conduzir os escravos para o Canadá, onde a escravidão já era proibida.

No final da década de 1850, ela conheceu John Brown, um ativista abolicionista que se interessou por sua habilidade de atravessar o país sem ser capturada. Brown era considerado radical por defender e legitimar o uso da violência para destruir a escravidão enquanto instituição. Foi ele quem lhe deu o apelido de “General Tubman”. Eles logo se tornaram grandes aliados na libertação de escravos. Quando ele morreu, ela o considerou um mártir e “o maior homem branco que ela já conhecera”.

Com o início da Guerra de Secessão, em 1860, ela passou a atuar como enfermeira, cozinheira, batedora e espiã para o exército dos Estados Unidos. Ela foi a primeira mulher a comandar uma expedição armada nessa guerra, ao guiar o Coronel John Montgomery no ataque ao rio Combahee, que libertou mais de setecentos escravos.

Mesmo ao final da guerra, ela não parou sua luta. Tubman foi também uma importante participante do movimento sufragista feminino e negro. A atualização da moeda estadunidense será efetivada até 2020, quando o país comemora o centenário da conquista do voto feminino. Além de Harriet Tubman na nota de U$20, o verso das notas de U$10 terá mulheres do movimento sufragista e as de U$5 ativistas pelos direitos civis dos negros. Mais detalhes estão disponíveis no site do tesouro estadunidense.

Não é a primeira vez que uma mulher estampa uma nota estadunidense, apesar de isso não acontecer há um século: a moeda já contou com Martha Washington, a 1ª primeira-dama do país, presente na nota de um dólar entre as décadas de 1880 e 1890. Além disso, a nativo-americana Pocahontas (sim, a mesma que inspirou o filme da Disney) estampou o verso da nota de U$20 década de 1860.

Fonte: Lado M


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